A TRISTE PARTIDA
HOMENAGEM PÓSTUMA À MARIETA GENTIL FIRMINO ARAÚJO
Dário
Teixeira Cotrim
Estamos agora diante de uma realidade
onde os círios choram com as suas ceras derretidas uma vez que em nossos olhos
não há mais lágrimas para chorar. Este é um momento que o tempo, implacável e
cruel, leva de nós um ente querido e as suas últimas lembranças. O doce
alvitramento de uma existência, que fora, até as vésperas de sua morte, uma amiga altiva, corajosa e companheira
leal, e ainda permanece em nosso meio. Veja bem que você, Marieta, sequer
deu-nos a oportunidade de um breve adeus. Você partiu em busca de sonhos e agora
nunca mais irá voltar ao seio do seu lar doce lar. Era preciso que fosse assim?
Sem despedida? Sem sequer um “até breve”, mesmo sabendo que em breve todos nós
haveremos de trilhar este mesmo caminho sem volta?
Marieta, todos aqueles que nós amamos nunca
morrem, apenas partem antes de nós. Por isso, nota-se que nas lembranças
recentes você trazia um sorriso alvissareiro e belo. Era sempre um momento doce
e de muita alegria a sua presença nos encontros da nossa confraria. Veja que na
“Confraria da Prosa”, onde os seus confrades estão agora chorando a sua súbita
partida, a sua fanfarrice de prosear causos contagiava a todos com um encanto
sem precedente. Você, Marieta, não morreu, como eu disse você partiu antes de
nós e se encantou. Um encantamento que somente os bons de coração possam um dia
ter esse privilégio divino. E, Deus, na sua imensa sabedoria, quis para todos
os seus amigos da “Confraria da Prosa” a melhor lembrança de você. Foi por isso
mesmo que o seu encantamento repentino aconteceu em terras distantes.
Certamente que os nossos encontros quinzenais
nunca mais serão iguais àqueles em que um dia você participou. Em cada casa
sempre haverá uma cadeira vazia. Uma cadeira vazia onde o seu corpo não mais
terá assento, mas o seu espírito de mulher guerreira há de assim permanecer,
firme e forte, abjugando todos nós de todos os males. Ah, Marieta, como já faz
falta a sua doce gargalhada das piadas do Adilson! Mesmo aquela mais sem graça
onde era preciso encontrar uma graça pra gente sorrir. Ainda há resquícios de
sorrisos nos lábios nossos quando se conta uma piada. Entretanto, Marieta, no
nosso coração a dor da separação vai, aos poucos, machucando a nossa alma sem
comiseração. E agora todos choram dessa sua piada mais sem termo e mais sem graça.
Por que você tinha que sofrer tanto assim? Por que você tinha que morrer assim?
Por que, Marieta?
Veja Marieta, não bastaram as nossas orações,
pois Deus tinha outro projeto pra você. Certamente que Ele precisava de você
por perto, haja vista que os seus adjutórios sempre foram de muita serventia
para o bem estar das pessoas. Por outro lado, é sabido do seu carinho, do seu
amor e de sua persistência em contribuir na realização de sonhos. Talvez seja
por isso mesmo que Deus abreviou a sua partida para a eternidade!
Escusa-me, Marieta, mas agora eu tenho que
chorar! Pois, eu preciso chorar neste momento de dor e de saudade! O grande
poeta português Fernando Pessoa dizia que morrer é apenas não ser visto, que
morrer é dobrar a curva da estrada. Portanto, Marieta, lá na curva da estrada
nós lhe desejamos o repouso eterno!

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